Do respeito a quem trabalha

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Tenho observado, em nossa fronteira, que enquanto alguns ficam sentados ociosamente num banco da praça, ou a uma mesa de bar na calçada, olhando o passeio, contando piadas, falando de política, de futebol ou jogando conversa fora, outros não param de trabalhar.
 
Seja a menina vendendo meia dúzia de meias por 10 reais; a mocinha que vende perfumes; a moça e o rapaz que para custearem a sua faculdade vendem pastéis na rua; o rapaz que vende seus CDs ; os jovens de uma ONG que oferecem artesanatos, chaveiros, pães ou doces em troca de uma pequena colaboração para o seu grupo que ajuda os jovens a se afastarem das drogas; uma freira que vende seus rosários; as ciganas que revendem suas cortinas, talheres, tapetes ou lençóis e um cidadão que vende seus balões, bichinhos de pelúcia ou macaquinhos para crianças.
 
Entre essas pessoas eu lembro especialmente a figura do Carlitos, o último engraxate da fronteira, que passa ligeiro, com a sua caixa, olhando os pés dos que estão sentados nos bares e cafés de Santana e Rivera, para ver se estão usando tênis ou sapatos. Se estão de tênis, nem lhes dá conversa, mas se estão de sapatos, pergunta se querem lustrar, e retirando da caixa uma lata de pomada, um pano e uma escova, não demora mais do que dez minutos para engraxar e lustrar um par de sapatos; mas se o sujeito não quer, ele não insiste e vai em frente. O Carlitos é uma dessas pessoas dinâmicas que não se limita apenas a engraxar sapatos, ele trabalha no que vier, como vendedor ambulante, fazedor de mandados, cuidador de carros, guia por conta própria de turistas para dar informações, entrar ou sair da cidade, etc.
 
Enquanto institucionalmente, legalmente e oficialmente, como cidadãos, todos os dias somos roubados, essas pessoas, a exemplo das formigas na natureza, trabalham incessantemente por conta própria e sobrevivem como podem; e antes de serem julgadas inconvenientes, inoportunas ou incomodativas, merecem o nosso respeito e consideração.
 

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