Anarquia …

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Apesar da austeridade do regime militar durante o seu desempenho e por mais que lhe apontemos algum rigorismo, ele foi aqui, como se sabe, mais brando e civilizado do que em outros países, e não podemos acusá-lo, como é possível acusar os governos posteriores, de nenhuma fraude ou bandalheira, nem de ter se apropriado indevidamente do dinheiro público em benefício próprio, seja na forma de salários, propinas, impostos, negociatas, perdão de dívidas, desvios ou malversação de verbas.
O mesmo, infelizmente, não podemos dizer dos governos chamados democráticos.
O processo de contaminação e degenerescência política aconteceu justamente no chamado “governo democrático”. O pessoal estava tão ávido e ansioso que se foi, como se diz, ‘com muita sede ao pote’.
E por mais que admiremos as figuras dos ex-presidentes Lula e Dilma, não podemos deixar de reconhecer que estavam de mãos amarradas diante da câmara e do senado federal, que até hoje tudo podem fazer nas barbas do executivo, protegidos pela legislação, pela imunidade e impunidade parlamentar.
Quando falei em outro artigo que o Chefe de Governo deve ser respeitado pelo exercício do seu cargo e autoridade, estava apenas me reportando ao protocolo, aos regulamentos específicos e consuetudes que protegem ou deveriam proteger a sua autoridade e a governabilidade de seus subordinados. Todos, povo, oposição e adversários parlamentares, por mais que lhe queiram mal, deveriam tratar com certa reverência a autoridade máxima do país, exercida pelo seu Chefe de Estado e de Governo, e mesmo as críticas deveriam ser feitas num clima de comedimento, respeito e educação.
Mas este comedimento, respeito e educação, infelizmente não é observado pelos próprios parlamentares perante o Governo, nem perante as instituições, nem perante o povo. Legisla-se e vota-se em causa própria, aprovam-se por maioria benefícios e privilégios à classe, negociam-se acordos a portas fechadas ou a nível de gabinete, e estas coisas somente virão de modo acidental ao conhecimento da sociedade muito tempo depois de terem acontecido ou entrado em vigor. E esses benefícios e privilégios ilícitos são tantos e tão disseminados, que se torna extremamente oneroso, prejudicial à economia e dificultoso de descobrir e enumerar.
Quer dizer, ganham no tempo, na quantidade, na amplitude e no acobertamento da ilicitude para que, uma vez descoberta, seja difícil de ser, com justiça, saneada ou corrigida. No fim das contas, o prejuízo é nosso, alguns pagam o pato e outros ficam impunes.
Sabe-se que a palavra ANARQUIA (ou ausência de hierarquia) deveria servir para definir um sistema ideal de regime, sem chefes, onde os indivíduos se auto-governariam respeitando uns aos outros, as instituições, a ordem e a lei. Mas infelizmente a palavra foi deturpada e veio a significar um estado de caos e confusão governamental.
Com todo respeito às autoridades, senhores ministros, poder judiciário, governadores e àqueles parlamentares homens e mulheres que em todos os níveis ainda têm vergonha na cara, podemos afirmar que de fato estamos vivenciando, neste momento, em nosso país, o que se poderia chamar, no mau sentido, de uma anarquia política e institucional.

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