As Ruínas de Machu-Picchu

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Em minha pequena confraria de amigos, que não passa de uns dez ou quinze, alguns compartilham do projeto de organizar uma excursão ao Peru, para visitar as famosas ruínas de Machu-Picchu.
Entre eles, eu me considero um dos menos entusiasmados, por falta de recursos e mesmo de interesse, em subir de novo, depois de tanta gente, àquelas montanhas.
Sabe-se que os ASTECAS e os MAIAS no México, assim como os INCAS no Peru, foram conquistados, traídos e trucidados.
Em 1519 os astecas habitavam o vale de Anahuac, governados pelo imperador Montezuma, e sua cidade, Tenochtitlán, era a capital de um dos mais avançados impérios americanos em cultura, ciência e tecnologia, seguido pelos maias, na península de Yucatán.
Os ASTECAS sucumbiram em 1522, quando Guatimozin, seu último grande imperador, foi morto por ordens do sanguinário Cortês.
Os MAIAS ainda subsistiram, segundo consta, até 1687, com a magnificência de seus palácios, templos e obras de arte.
Em 1532 o Império INCA, no Peru, que era governado por Atahualpa e se constituía na mais rica das civilizações, por sua cultura e organização política e social, foi invadido por Francisco Pizarro e seus homens, cuja turba se compunha de missionários religiosos, soldados mercenários e uma súcia de degredados, entre criminosos e ladrões, que galgaram aquelas montanhas de Machu Picchu e se apresentaram como amigos, visto que pela força seriam imediatamente rechaçados, tamanha era, na época, a inexpugnabilidade do lugar.
Atahualpa os recebeu de boa-fé, trocaram-se presentes e a Bíblia lhe foi apresentada como a Palavra do Grande Deus e como prova de seu amor por todos os povos e criaturas que habitavam o mundo. Atahualpa pegou a Bíblia (quem viu o filme se lembra dessa cena), a cheirou, escutou e examinou curiosamente, enquanto procurava argumentar por gestos que a cultura religiosa de seu povo era outra e que seus grandes deuses eram o Sol, a Lua e outras manifestações dos poderes da natureza.
Mas enfim concordou em aceitar o diálogo e Pizarro lhe propôs um recíproco intercâmbio de conhecimentos e ensinamentos entre suas culturas e linguagens.
Enquanto isso, Atahualpa, como prova de amizade e confiança, lhe franqueava sua hospitalidade e lhe mostrava seus tesouros, sem suspeitar que em Francisco Pizarro se abrigavam a cobiça, a traição, o crime e o latrocínio.
Aproveitando uma ocasião em que estavam a sós nos interior de seu palácio, Pizarro lançou-se contra Atahualpa e o esgoelou, substituindo-o por Manco Capac, que fundou a cidade de Cuzco e a governou por algum tempo, mas acabou também sendo morto pelos espanhóis.
Em face dessa sórdida e dupla traição, em 1533 os incas foram inteiramente dominados, seus tesouros roubados e os que se rebelaram, passados a fio de espada.
Enquanto escrevo este relato, admiro com nostálgica reverência um quadro que tenho em casa, em que aparece, majestosa e triste , a paisagem das ruínas de Machu-Picchu, a Cidade dos Incas, em seu pedestal rochoso, no alto das montanhas de Cuzco, onde crescem as ervas e vicejam flores silvestres por entre as paredes, para serem visitadas por admiradores, curiosos, estudiosos e turistas do mundo inteiro.
LCM (publicado originalmente no Jornal A Plateia)

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