De esquerda ou de direita

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Já me sinto com o peso dos anos e até hoje não consigo identificar com clareza quem pode ser considerado de esquerda e quem será rotulado de direita. De uns anos para cá é muito comum e até corriqueiro que se aponte para alguém e se diga: Esse Fulano é de esquerda e aquele Sicrano é de direita. Afinal, qual é o critério ou dentro de que conceituação é que se pode dar esse epíteto para este ou para aquele?

Não me venham com a relembrança da Revolução Francesa quando se plasmou que no plenário da Assembleia Francesa de 1789 os nobres e os girondinos sob o comando de Jaques Brissot ocupavam o lado direito da Mesa diretora da Assembleia, enquanto que o lado esquerdo do plenário era ocupado pelos jacobinos liderados por Maximilien Robespierre e os cordeliers sob a liderança de Georges Danton.

Mesmo estes – jacobinos e cordeliers – além da política mantinham outras rivalidades, pois os primeiros eram identificados com a ordem religiosa dos dominicanos, enquanto que os segundos com a ordem dos franciscanos.

Penso que a frase “a esquerda só se une na prisão” poderia ter vindo daquela época. Além disso, todos aqueles líderes das diversas correntes deixaram as suas cabeças na guilhotina. Por este lado também não houve muita diferença entre eles, porque o fim foi igual para todos.

Se alguém me mostrar um tecido facilmente irei identificar se é linho, veludo, brim ou de outra espécie, todavia ainda não tenho condições de definir o lado político de alguém quando apenas a vejo ou a ouço dizendo alguma coisa. Afinal, se alguém se põe diante do espelho, a sua direita será a esquerda da imagem refletida, assim como a direita de quem vai por uma rua é a esquerda de quem vem.

Tenho cá minhas razões para pensar que esta polaridade de conceitos veio a recrudescer quando a chamada guerra fria acabou, motivada pela queda do Muro de Berlim em novembro de 1989 e a derrocada da União Soviética em 1991. A partir destes eventos perdeu sentido a disputa entre nações, sendo umas da América e da Europa Ocidental de um lado e da Europa Oriental de outro lado.

Decorridos quase 30 anos daqueles eventos ainda não consigo compor uma seleção de dados que possam me levar a fazer a distinção mental de alguém dentro dessa dicotomia, sempre lembrando que todos os partidos e pessoas ditos de esquerda ou de direito almejam e batalham pelo mesmo objetivo, qual seja o de chegar ao poder em algum dia e lá permanecer enquanto puder.

Como não consigo identificar razoavelmente estas diferenças entre pessoas, entendo que dizer que alguém é de direita ou de esquerda é algo sem qualquer certeza.

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