Relembrando a Professora Maria Helena Abraão Schorr

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Faz algum tempo que a nossa querida amiga professora Maria Helena Abraão Schorr nos deixou para ir residir no plano espiritual.
Hoje, revendo este artigo, decidi mais uma vez republicá-lo para lembrar um dos eventos em que ela participou como representante da Academia Santanense de Letras.
No dia 10 de junho de 2009, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, do Museu Municipal “David Canabarro”, da Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa e da Academia Santanense de Letras, tivemos o privilégio de assistir a uma excelente palestra-aula proferida pela bióloga, antropóloga e paleontóloga professora Maria Helena Abrahão Schorr, sobre a cultura indígena em nosso estado, com base em seus conhecimentos e no seu trabalho de pesquisa científica.
Depois de falar inicialmente sobre a vida e a obra da escritora e antropóloga Ítala Irene Basile Becker, com quem conviveu e trabalhou durante dezesseis anos, e de sua pesquisa sobre os usos e costumes de nossos povos através dos tempos, discorreu sobre a cultura dos índios Patos, que habitaram as margens da Lagoa dos Patos, onde ela pessoalmente participou de escavações e investigações arqueológicas no início de suas atividades nesta área.
Com base em instrumentos de pedra lascada e polida gentilmente cedidos por empréstimo pela direção do Museu Municipal “David Canabarro”, a professora Maria Helena nos explicou sobre a morfologia e funcionalidade de tais objetos, o tipo de material rochoso de que eram feitos e seus diversos usos, como facas de pedra, martelos, machadinhas, bolas, discos, armas de caça, com os quais fez algumas demonstrações e em seguida os franqueou para serem examinados pelos assistentes.
A sua palestra contou com a presença de professores, alunos e autoridades locais e de oportunas intervenções de várias pessoas da assistência, entre as quais o acadêmico, conferencista e professor de história Victor Hugo González Vargas que falou sobre os índios Jaros que habitaram e deram nome ao Cerro do Jarau, no vizinho município de Quaraí; o professor Oneider que falou sobre a antiguidade de nossa região de fronteira e de sua importância histórica, a qual, nos tempos do general Artigas, esteve destinada a se transformar numa das maiores pátrias sul-americanas independentes; o engenheiro Dr. Claudio Pedroso, que falou sobre o gênero herbáceo dos umbus, tão característicos em nossa fronteira e plantados ao longo da linha divisória, dizendo que o umbu não é propriamente uma árvore, mas uma erva gigantesca; e o radialista Antonio Carlos Cunha Valente, que falou sobre a capela de São Diogo e perguntou onde se localizaria uma possível pegada de dinossauro em nossa região, pergunta esta que foi respondida pela professora Maria Helena, dizendo que esta pegada se localizava na margem da rodovia entre Rosário e Livramento e que pode perfeitamente ser vista e fotografada, como ela própria fotografou, na companhia dos amigos e pesquisadores Nereo Rodrigues Mendes e professor Juca Sampaio..
Apesar daquela noite fria do mês de junho de 2009, valeu a pena comparecer à Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa, que sob a direção do nosso amigo Nereo Rodrigues Mendes se transformava num belo e acolhedor espaço cultural para este tipo de eventos, para assistir a essa instrutiva palestra e a uma verdadeira aula de ciência que tratou de história, biologia, botânica, antropologia e arqueologia, ministrada pela carismática professora Maria Helena Abrahão Schorr, da Academia Santanense de Letras e uma das maiores autoridades em arqueologia, paleontologia e antropologia em Sant’Ana do Livramento.
À querida amiga professora Maria Helena Abraão Schorr, que em espírito deve estar nos acompanhando, a nossa saudosa e eterna lembrança.

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