A taça da Vida …

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Perdidos ou mal despertados de um sono letárgico, ainda não lembramos quem somos, onde estamos, de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos …
Passam-se os anos e permanecemos os mesmos, ou piores, pois nos enrugamos, nossos cabelos caem ou embranquecem, vamos perdendo os dentes e outras coisas, “e nos sentimos bons, como dizia o velho Nietzsche, porque nossas garras já não são mais tão afiadas …”
É possível que os fantasmas e as feras do caminho nos amedrontem, como a Dante em sua Comédia, e façam com que nos sintamos encurralados.
É possível que a fé, a esperança e a caridade nos tenham abandonado.
Será que a esfinge as comeu? Ter-se-iam quebrado, como aconteceu com alguns bancos internacionais? Ou se afogaram no Letes?
E passamos a buscar novas filosofias e a freqüentar novas escolas e correntes de opinião …
Buscamos em umas o que não encontramos em outras.
E o que é que não encontramos?
O fio da meada, a dignidade, a vergonha na cara, a justiça social, a lealdade, a palavra perdida, o paraíso terrestre, o salvador da pátria, a terra prometida, a moral da história ou o fim da picada?
As respostas permanecem silenciosas no interior de cada um de nós, guardadas dentro desse baú do inconsciente que poderíamos chamar de “Arca do Tesouro”.
E há os que vão buscar essas relíquias de experiência e sabedoria fora de si mesmos e depois, frustrados, se põem a resmungar impropérios.
É natural que assim não as encontremos ou que as afugentemos, com o sopro deletério de nossas blasfêmias. Porque essas coisas só podem ser alcançadas no silêncio da meditação, com o sacrifício do nosso orgulho, de nossas paixões, de nossas vaidades e ambições, pela confiança numa inteligência superior que nos ilumina e orienta.
Debruçado sobre estes seres pequeninos, tão Imenso que não O enxergamos, está o Criador, observando, com infinita indulgência, o orgulho, a soberba, a incredulidade, a vaidade, a ambição, a ignorância, o fanatismo, a teimosia, a intolerância e o desespero de Suas criaturas, mas sempre Pronto a ampará-las nos momentos mais difíceis.
Ele sabe que um dia encontraremos o verdadeiro caminho…
Mas por enquanto, é preciso que degustemos o sabor doce e amargo da Taça da Vida, para aprender.

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