Rubirosa …

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O Rubirosa foi uma figura que conheci pessoalmente. Era meu amigo e do nosso saudoso escritor Arlindo Coitinho, que hoje estaria de aniversário e que dedicou a Rubirosa o título de um de seus livros por ser o protagonista de algumas histórias.
Na verdade conheci o Rubirosa no tempo em que ele ainda era um boêmio elegante que morava na Pensão Espanhola, vestia bem, frequentava o cassino e os clubes noturnos e durante o dia, em seu automóvel Packard importado, visitava as empresas para vender jóias e perfumes franceses, quando ainda não existiam os free-shops em Rivera.
Com o passar do tempo, afetado pela crise, o Rubirosa foi decaindo, como aconteceu com outros boêmios de nossa fronteira, e entregou-se à bebida, tornando-se uma figura popular.
É dessa fase da vida do Rubirosa que se conhecem as histórias contadas pelo Arlindo Coitinho.
Eu lembro que certa vez, neste dia 08 de outubro, que é a data de aniversário de nascimento do Arlindo Coitinho, o Arlindo e a Sonia me convidaram para um churrasco na casa deles, lá na Avenida dos Plátanos, no bairro do Armour.
Era um domingo e lá estava também, como convidado, o Rubirosa. Nessa época eu ainda tinha o meu Maverick azul metálico, com capota revestida de vinil preto e rodas de magnésio, e depois do almoço na casa do Arlindo dei carona ao Rubirosa até ao centro da cidade. Perguntei a ele onde queria ficar e ele me pediu que o deixasse no posto Ipiranga da Av. Tamandaré, na esquina com a Rua Silveira Martins. Mas fez questão que eu entrasse com o carro no posto, que àquela hora tinha pouco movimento, para descer teatralmente e dizer aos funcionários que eram seus amigos:
— “Miren, bichicomes, estoy llegando en el Maverick de un amigo escritor ! Que están pensando ? ! Grácias, mi amigo Luciano. Hasta la vista ! “
Esta foi a última vez que vi o Rubirosa. Depois soube que havia falecido.

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